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O velho, o novo e 2010

Posted by mdfnews em julho 26, 2009


Fonte: http://www.viomundo.com.br/

por Luiz Carlos Azenha

Houve um tempo em que acreditávamos que as mulheres transformariam a política.
Uma das muitas ilusões geradas nos anos 60.

[A respeito disso, tive uma discussão recentemente com uma jovem que propagandeava as virtudes do vinil. Eu, que sou do tempo das 78 rotações, me lembro que frequentemente era preciso trocar as agulhas da vitrola e que o som das caixas era, então, uma droga. Prefiro o Ipod em que carrego 10 mil músicas no avião, acoplado a um fone da Bose. É curioso como virou moda achar que os anos 60 foram o máximo].

As próprias mulheres acreditavam que transformariam a política, enquanto queimavam sutiãs e davam os primeiros passos no mercado de trabalho. Mal entendiam, então, que a incorporação delas ao mercado derrubaria de forma generalizada os salários. Hoje um casal trabalha mais horas para sustentar a família do que um pai de família trabalhava nos anos 60. E, graças ao celular e à internet, o trabalho nos persegue até a praia e a casa.

O feminismo serviu ao capitalismo, embora tenha se apresentado como algo “revolucionário”. Serviu, também, à justa luta pela emancipação feminina.

Nossa crença de que as mulheres transformariam a política se assentava nas virtudes associadas à maternidade. As mulheres, como mães, seriam mais sensíveis às reivindicações sociais, investiriam mais em saúde e educação, acabariam com as guerras, etc.

Nada como uma Margareth Tatcher para acabar com essa idéia. As mulheres, na política, se comportaram exatamente como homens de saia, com raríssimas exceções. Aliás, tenho para mim que a Dama de Ferro precisava provar seu “machismo” na Grã Bretanha assim como os presidentes democratas, nos Estados Unidos, frequentemente arrumam guerras para demonstrar que são tão valentes quanto os republicanos.

Houve outras “falcões” que marcaram a presença feminina na política, como as secretárias de Estado americanas Jeanne Kirkpatrick e Madeleine Albright.

Mais recentemente, no mesmo molde, posso citar a israelense Zippi Livni.

Nos Estados Unidos, a senadora Hillary Clinton fez uma carreira brilhante. É uma mulher inteligente e competente. Foi derrotada em uma campanha extraordinária por Barack Obama. Como é que um candidato menos experiente e preparado conseguiu derrotar uma ex-primeira dama que foi casada com um dos presidentes mais populares da história dos Estados Unidos?
Pelo simples fato de que Obama era o homem certo na hora certa. Um homem de seu tempo. Um candidato que tomou o pulso da sociedade americana, especialmente dos jovens e, com eles, construiu uma coalizão capaz de apresentá-lo como o “candidato da renovação”.

A aliança de Barack Obama com os movimentos sociais funciona assim: os ativistas se encarregam de engajar a opinião pública no debate dos temas que interessam a eles. Grupos de pressão se organizam, especialmente através da internet, para levar o tema ao Congresso. Uma vez lá as forças políticas de apoio a Obama se combinam para aprovar ou derrubar legislação.
Essa parceria fica explícita no blog liberal Daily Kos, por exemplo, que ajuda a disseminar os discursos temáticos que Obama faz para divulgação, em HD, no You Tube da Casa Branca — como na campanha por um plano nacional de saúde.

Essa mobilização de mão dupla dribla por um lado o poder de filtro da mídia e, de outro, o das estruturas partidárias tradicionais.

A parceria só foi possível pelo engajamento de algumas dezenas de milhares de jovens ativistas na campanha que levou Obama à Casa Branca como candidato da “mudança na qual podemos acreditar”.

Ele não chegou lá prometendo “revolução”, como se fazia nos anos 60, mas com o pragmatismo do possível, nas circunstâncias. Pode não ser o jeito que nos agrade de fazer poítica, mas parece ser o estilo da garotada de hoje: pão, pão; queijo, queijo.

No Brasil, torço para que uma candidata — qualquer candidata — eventualmente disminta a idéia de que as mulheres, na política, são iguais aos homens.

As mulheres brasileiras enfrentam problemas seriísimos, que demandam a atenção de uma mulher-candidata, dentre os quais destaco a falta de creches, a violência doméstica e a igualdade salarial.

Mas essa mulher, seja ela quem for, não irá longe se não estiver antenada com um novo jeito de fazer política, que requer uma ampla coalizão com os movimentos sociais e de promoção da cidadania.

Se a esquerda na América Latina optou definitivamente por chegar ao poder pelo voto, só conseguirá exercê-lo de forma eficaz em aliança com os movimentos sociais organizados — sindicais, de estudantes, mulheres, negros, indígenas, etc.

Em 2010, no Brasil, acredito firmemente que a ênfase não deveria ser em apresentar a disputa como um enfrentamento da “esquerda” com a “direita”, mas sim do “novo” contra o “velho”.

Esqueçam, pois, o José Sarney. Pensem no Obama.

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