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Identificada a máfia da gripe suína que fez você perder o sono

Posted by mdfnews em janeiro 17, 2010


Fonte: Vi o Mundo

Gripe A:

OMS sob suspeita de corrupção

No site O Diário.info

Depois de umas férias informativas sobre a gripe A H1N1, que mais parece ter sido determinado para permitir a concentração de milhares e milhares de pessoas nos centros comerciais para as compras natalícias, regressaram aos media as recomendações do ministério da Saúde e as notícias sobre a Gripe A, algumas provocadoras de algum alarme. Tudo isto num momento em que reaparecem as críticas e aparece a suspeita de a corrupção já ter chegado à Organização Mundial de Saúde (OMS).

por F. William Engdahl* – 05.01.10

Durante o decurso deste ano, o parlamento da Holanda [1] manteve suspeitas sobre o famoso Dr. Osterhaus e iniciou uma investigação por conflito de interesses e má administração. Fora da Holanda e da comunicação social dessa nação, só umas poucas linhas foram publicadas na respeitável revista britânica Science, mencionando a sensacional investigação sobre os negócios do Dr. Osterhaus.

Não se questionavam nem as referências de Osterhaus, nem os seus conhecimentos da sua especialidade. O que se põe em causa, como assinalava num simples comunicado a revista Science, é a independência da sua opinião pessoal no tocante à pandemia da gripe A. Referindo-se ao Dr.Osterhaus, a revista Science publicava as seguintes linhas na sua edição de 18 de Outubro de 2009:

“Na Holanda, durante os últimos seis meses, era difícil ligar a televisão sem ver aparecer o célebre caçador de vírus Albert Osterhaus e ouvi-lo falar da pandemia da gripe A. Pelo menos, era isso que se promovia. Osterhaus era o Senhor Gripe, o diretor de um laboratório, internacionalmente conhecido, no Centro Médico da Universidade Erasmo de Roterdã. Todavia, a sua reputação decaiu rapidamente a semana passada, quando surgiu a referência a uma série de suspeitas sobre o seu desejo de incentivar o temor sobre a pandemia, a fim de favorecer os interesses do seu próprio laboratório na elaboração de novas vacinas. No momento em que a Science era impressa, a Segunda Câmara do Parlamento da Holanda anunciava também que o assunto será objeto de um debate urgente”. [2]

No dia 3 de novembro, sem sair completamente incólume, Osterhaus conseguiu evitar prejuízos. No site da revista Science, um dos blogus informava: “A Segunda Câmara do Parlamento da Holanda rejeitou hoje uma moção que exigia que o governo rompesse todo o vínculo com o virólogo Albert Osterhaus do Centro Médico da Universidade Erasmo de Roterdã, que é objeto de acusações por conflito de interesses como conselheiro governamental. Por outro lado, o Ministro da Saúde Ab Klink anunciava na mesma altura uma lei [3] para a transparência do financiamento da investigação, que obrigará os cientistas a revelar os vínculos financeiros que mantém com empresas privadas”. [4]

Num comunicado difundido através do site do Ministério da Saúde na internet, o ministro Klink, de que se sabe que é amigo pessoal de Osterhaus [5], afirmava posteriormente que este último não era mais do que muitos outros conselheiros do ministério para as questões relacionadas com as vacinas da gripe A H1N1. O ministro informou também estar “informado dos interesses financeiros de Osterhaus [6] que, segundo o próprio ministro, não tem nada de extraordinário, apenas o progresso da ciência e da saúde pública”. Pelo menos, isso era o que se pensava.

Uma análise mais profunda do processo Osterhaus permite antever que esse virólogo holandês, de fama internacional, poderá ser o eixo de um golpe de vários bilhões montado em torno do risco de uma pandemia. Seria o caso de um sistema fraudulento, em que as vacinas, não submetidas aos processos necessários de teste, teriam sido utilizadas em seres humanos, o que implicaria o risco – o que já aconteceu – de provocar sequelas sérias, como paralisias graves e, inclusive, a morte.

O embuste dos excrementos das aves

Albert Osterhaus não é um indivíduo qualquer. Trata-se de um cientista que desempenhou um papel nas grande ondas de pânico que se desencadearam devido à aparição de vírus, desde as mortes misteriosas imputadas à SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em Hong Kong, onde a atual diretora geral da OMS, Margaret Chan, promoveu a sua carreira como responsável pela saúde pública a nível local.

Segundo a sua biografia oficial na Comissão Europeia, em abril de 2003, em pleno apogeu do pânico provocado pela SARS, Osterhaus foi contratado para participar nas investigações sobre os casos de infecções respiratórias que, naquele momento, eram cada vez mais frequentes em Hong Kong. A informação da União Europeia dizia o seguinte: “Demonstrou, de novo, o seu talento em reagir rapidamente perante situações graves. Em três semanas provou que esta enfermidade é provocada por um coronavirus recentemente descoberto que contamina gatos, morcegos e outros animais carnívoros”. [7]

Posteriormente, quando se deixou de falar dos casos de SARS, Osterhaus dedicou-se a outra coisa, à tarefa de dar envergadura mIdiática aos perigos daquilo que ele chamava a gripe aviária H5N1. Em 1997, já havia tocado o alarme depois da morte, em Hong Kong, de uma criança de 3 anos que Osterhaus sabia que tinha estado em contato com pássaros. Osterhaus desenvolveu o seu trabalho de pesquisa na Holanda e em toda a Europa, afirmando que uma nova mutação letal da gripe se havia transmitido aos humanos e que era necessário tomarem-se medidas drásticas. Afirmava ainda que ele era o primeiro cientista em todo o mundo a demonstrar que o vírus H5N1 podia contaminar os seres humanos.[8]

Referindo-se ao perigo que representava a gripe aviária, Osterhaus declarava, numa entrevista transmitida pela BBC em outubro de 2005, que “se o vírus conseguia efetivamente mutar-se de tal forma a poder transmitir-se entre os humanos, estaríamos perante uma situação completamente diferente. Poderíamos estar no princípio de pandemia”. E acrescentava: “Existe o risco verdadeiro de que as aves disseminem o vírus por toda a Europa. É um risco real que, no entanto, ninguém pôde avaliar até agora, porque não realizamos experiências”. [9]

O vírus nunca chegou a mutar-se, todavia Osterhaus estava disposto a “realizar experiências” que seguramente trariam generosas gratificações. Para sustentar o seu cenário alarmante de pandemia e conferir-lhe certa legitimidade científica, Osterhaus e os seus ajudantes de Roterdã começaram a recolher e a congelar amostras de excrementos de pássaros. Osterhaus afirmou que, segundo os períodos do ano, todas as aves na Europa, até 30%, eram portadoras do mortífero vírus da gripe aviária H5N1. Afirmou também que as pessoas em contacto com galinhas e frangos estavam, portanto, expostas ao vírus.

Osterhaus comunicou tudo isto aos jornalistas e estes tomaram nota da sua mensagem alarmista. Perante os jornalistas, Osterhaus pôs a hipótese de que depois de ter provocado várias mortes nos antípodas asiáticos, o vírus, a que ele pusera a etiqueta de H5N1, se iria propagar até à Europa, possivelmente através das penas ou pelas entranhas das aves mortalmente infectadas. Osterhaus sustentava a tese de que as aves migratórias seriam capazes de trazer para o Ocidente o novo vírus mortal, até a regiões tão distantes [da Ásia] como a Ucrânia e a Ilha de Rugen [10]. Ele só precisava de fingir que não sabia que as aves não migram do Leste para o Oeste mas sim do Norte para o Sul.

A campanha alarmista de Osterhaus, ao redor da gripe aviária, arrancou realmente em 2003, devido à morte de um veterinário holandês que tinha adoecido. Osterhaus anunciou que a morte tinha sido provocada pelo vírus H5N1. Convenceu o parlamento holandês que exigisse o sacrifício de milhões de frangos. Contudo, não houve nenhuma outra morte provocada por uma infecção semelhante à que tinha sido atribuída à H5N1. Para Osterhaus, isto demonstrava a eficácia da campanha de sacrifícios maciços preventivos. [11]

Para Osterhaus, os dejetos das aves propagavam o vírus ao cair sobre a população e sobre as demais aves em terra. Sustentava firmemente a sua convicção de que aqueles dejetos eram o vetor que propagava a nascença mortal do vírus H5N1 a partir da Ásia.

A crescente acumulação de amostras congeladas de dejetos de aves que Osterhaus e os seus associados tinham reunido e conservado no instituto apresentava, sem dúvida, um problema. Nem uma única amostra daquelas conservadas permitiu confirmar a presença do vírus H5N1. Em 2006, por ocasião do congresso da OIE (Organização Internacional de Epizootias), atualmente denominada Organização Mundial de Saúde Animal, Osterhaus e os seus colegas da Universidade Erasmo de Roterdã, não tiveram mais remédio do que admitir que ao analisar as 100.000 amostras de matérias fecais que tão cuidadosamente haviam conservado, não tinham encontrado a menor prova do vírus H5N1. [12]

Em 2008, em Verona, durante a conferência da OMS sobre o tema A gripe aviária e o intercâmbio homem-animal, Osterhaus fazia uso da sua palavra perante seus colegas da comunidade científica, sem dúvida menos cativados do que o público não científico pelos seus incitamentos à emotividade. Admitia ele então que “no estado atual de conhecimento nada permite formular um alerta contra o vírus H5N1, nem afirmar que este possa provocar uma pandemia”. [13] Naquele momento, não obstante, o seu olhar dirigia-se já insistentemente para outras possibilidades de coincidir o seu próprio trabalho sobre as vacinas com novas possibilidades de crise pandêmica.

Gripe A e corrupção na OMS

Ao comprovar que a gripe aviária não provocava nenhuma onda de mortes — e depois das companhias Roche, que fabrica o Tamiflu, e a GlaxoSmithKline, que fabrica o Relenza, registarem lucros ascendentes de bilhões de dólares quando os governos decidiram armazenar reservas de vacinas anti-virais cuja eficácia é objeto de polêmica – Osterhaus, e os demais conselheiros da OMS, viraram os olhos para campos mais férteis.

Em abril de 2009, parecia que a sua busca fortificava quando em La Gloria, um pequeno povoado no estado mexicano de Veracruz, se diagnosticou um caso de um garoto portador da gripe então chamada «suína» ou H1N1. Com uma pressa totalmente fora do habitual, o aparelho propagandístico da Organização Mundial da Saúde, arrancou com todas as suas forças com declarações da sua diretora geral, a drª Margaret Chan, sobre a possível ameaça de uma pandemia mundial.

A senhora Chan indicou o procedimento: “Urgência de saúde pública de caráter internacional”. [14] Posteriormente, outros casos declarados em La Gloria foram apresentados num portal médico na internet como um “estranho aparecimento de infecções pulmonares e respiratórias agudas, que evoluem, convertendo-se em broncopneumonias, em alguns casos de crianças. Um habitante de La Gloria descrevia os sintomas: “Febre, tosse severa e secreções nasais muito abundantes”. [15]

Contudo, esses sintomas não carecem de sentido no contexto ambiental de La Gloria, uma das zonas de maior concentração de criação intensiva de porcos a nível mundial, cujas pocilgas pertencem principalmente ao grupo americano Smithfield. Já há meses que a população local vinha organizando manifestações junto à sede mexicana do grupo Smithfield, protestando contra as graves deficiências respiratórias provocadas pelas estrumeiras. Esta causa plausível das diversas enfermidades diagnosticadas em La Gloria não pareceu despertar o interesse de Osterhaus, nem dos demais conselheiros da OMS. Aparecia finalmente a tão esperada pandemia, aquela que o próprio Osterhaus vinha prevendo desde 2003, quando participou da avaliação da SARS na província chinesa de Guandgong.

Em 11 de janeiro de 2009, Margaret Chan anunciava que a propagação do vírus H1N1 havia alcançado o nível 6 de “urgência pand^emica”. Curiosamente, a senhora Chan anunciava nessa mesma comunicação que “segundo as informações disponíveis até hoje, uma esmagadora maioria de doentes apresenta sintomas benignos, o seu restabelecimento é rápido e total, na maioria dos casos sem recorrer a qualquer tratamento médico”. E acrescentava depois: “A nível mundial a quantidade de mortes é pouco importante, não se espera um incremento brusco e espetacular da quantidade de casos graves e mortais”.

Posteriormente, veio a saber-se que a senhora Chan tinha atuado dessa forma em consequência dos acalorados debates no seio da OMS, seguindo os conselhos do Grupo Estratégico de Consulta da OMS (SAGE, sigla correspondente a “Strategic Advisory Group of Experts”). Um dos membros do SAGE, naquele momento e ainda agora, é o nosso “Senhor Gripe”, o Doutor Albert Osterhaus.

Osterhaus não só ocupava uma posição estratégica para recomendar à OMS que declarasse a “urgência pandêmica” e para incitar ao pânico, como também era ainda o presidente de uma organização que se encontra na primeira linha no tocante a esse tema. Trata-se do Grupo Europeu de Trabalho Científico sobre a Gripe (ESWI, sigla correspondente a European Scientific Working Group on Influenza), que se define como um “grupo multidisciplinar de líderes de opinião sobre a gripe, cujo objetivo é lutar contra as repercussões de epidemia ou de pandemia gripais”. Como os seus próprios membros explicam, o ESW é – sob a direção de Osterhaus – o eixo central “entre a OMS, em Genebra, o Instituto Robert Koch em Berlim e a Universidade de Connecticut nos Estados Unidos”.

O mais significativo a respeito do ESWI é que o seu trabalho é inteiramente financiado pelos mesmos laboratórios farmacêuticos que ganham bilhões graças à urgência pandêmica, já que os anúncios que fez a OMS obrigam governos do mundo inteiro a comprar e armazenar vacinas. O ESWI recebe financiamentos provenientes dos laboratórios e distribuidores de vacinas contra o H1N1, como Baxter Vaccins, Medimmune, GlaxoSmithKline, Sanofi Pasteur e outros, entre os quais se encontra Novartis, que produz a vacina, e o distribuidor do Tamiflu, Hofmann La Roche.

Para manter essa vantagem, Albert Osterhaus, o virólogo mais importante do mundo, conselheiro oficial dos governos inglês e holandês sobre o vírus H1N1 e chefe do Departamento de Virologia do Centro Médico da Universidade Erasmo de Roterdã, fazia parte da elite da OMS reunida no grupo SAGE, ao mesmo tempo que presidia o ESWI, apadrinhado pela indústria farmacêutica. Por sua vez, o ESWI recomendou medidas extraordinárias para vacinar o mundo inteiro, considerando como elevado o risco de uma nova pandemia que, segundo diziam com insistência, podia ser comparável à aterradora gripe espanhola de 1918.

O banco JP Morgan, presente em Wall Street, estimava que, principalmente graças ao alerta de pandemia declarado pela OMS, os grandes industriais farmacêuticos, que também financiavam o trabalho do ESWI de Osterhaus, podiam acumular entre 8,5 e 10 bilhões de dólares de lucro. [16]

Por sua vez, o dr. Frederick Hayden é membro do SAGE, na OMS, e do Wellcome Trust, em Londres. É também um dos amigos mais chegados de Osterhaus. Por serviços “de consulta”, Hayden recebe, além disso, fundos da Roche e da GlaxoSmithKline, dentre outros gigantes farmacêuticos que participam no fabrico de produtos ligados à crise do H1N1.

Outro cientista britânico, o professor David Salisbury, que depende do ministério britânico de saúde, encontra-se à cabeça do SAGE na OMS e dirige, além disso, o Grupo de Consulta sobre o H1N1 na OMS. Salisbury é também um ardente defensor da indústria farmacêutica. No Reino Unido, o grupo de defesa da saúde “One Clic” acusou-o de silenciar a comprovada relação entre as vacinas e o crescimento do autismo entre as crianças, assim como a relação entre a vacina Gardasil e os diferentes casos de paralisia, incluindo mortes. [17]

No dia 28 de setembro de 2009, o professor David Salisbury, que trabalha para o Ministério de Saúde declarava: “A comunidade científica está de acordo sobre a ausência de risco no tocante à inoculação do Thimerosal (ou Thiomersal)”. Esta vacina, utilizada na Grã-Bretanha contra o H1N1, é fabricada principalmente pela GlaxoSmithKline. Contém Thimerosal, um conservante à base de mercúrio. Em 1969, como toda uma série de exames, cada vez mais numerosos, mostravam que o Thimerosal presente nas vacinas poderia ser a causa de casos de autismo entre crianças nos Estados Unidos, a American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria) e o Public Health Service (Serviço de Saúde Pública) exigiram que [o Thimerosol] fosse retirado da composição das vacinas. [18]

Outro membro da OMS, que também manteve estreitos vínculos financeiros com os fabricantes de vacinas que se beneficiam das recomendações do SAGE, é o doutor Arnold Monto, consultor remunerado pelos fabricantes de Medimunne, Glaxo e ViroPharma. Pior ainda, nas reuniões de cientistas “independentes” que organiza o SAGE, participam “observadores”, e, entre os que se encontram – por incrível que possa parecer – estão os mesmos produtores de vacinas, GlaxoSmithKline, Novartis, Baxter e companhia. Entretanto, impõe-se a seguinte pergunta: Se supõe que o SAGE é composto pelos melhores peritos da gripe do mundo inteiro, por que é que convidam os fabricantes de vacinas para participar nas suas reuniões?

Durante o último decênio, a OMS criava as chamadas “alianças entre os setores público e privado”, com o objectivo de incrementar os fundos à sua disposição. Mas em vez de receber fundos provenientes apenas dos governos dos países membros da ONU, como estava previsto no princípio, a OMS recebe atualmente das empresas privadas cerca do dobro do orçamento que habitualmente lhe estabelece a ONU, sob a forma de bolsas e ajudas financeiras.

De que empresas privadas provêm esses fundos? Dos mesmos fabricantes de vacinas que se beneficiam de decisões oficiais como a adotada em junho de 2009 sobre a urgência pandêmica da gripe H1N1. À semelhança dos benfeitores da OMS, os grandes laboratórios têm as suas entradas em Genebra com direito a um tratamento de “portas abertas e carpete vermelho”. [19]

Numa entrevista concedida ao semanário alemão Der Spiegel, um membro da Cochrane Collaboration, uma organização de cientistas independentes que avaliam todos os estudos realizados sobre a gripe, o epidemiologista Tom Jefferson, assinalava as consequências da privatização da OMS e da comercialização da saúde, “T.Jefferson (T.J.) : […] uma das características mais surpreendentes desta gripe e de toda a telenovela a que deu lugar é que, ano após ano, há gente que emite previsões cada vez mais pessimistas. Nenhuma se cumpriu até a data, mas essas pessoas continuam a emitir previsões. Por exemplo: o que se passou com a gripe aviária que nos ia matar a todos? Nada. Contudo, isso não impede que essa gente continue a fazer as suas previsões. Às vezes, parece que há toda uma organização que tem a esperança de [ver surgir] uma pandemia.

Der Spiegel: De quem é que você fala? Da OMS?

T.J.: Da OMS e dos responsáveis da saúde pública, os virólogos e os laboratórios farmacêuticos. Eles construíram todo um sistema à volta da iminência da pandemia. Há muito dinheiro em jogo, assim como redes de influência, carreiras e instituições inteiras! Bastou uma mutação de um dos vírus da gripe para vermos toda a máquina a pôr-se em marcha”.[20]

Quando se lhe perguntou se a OMS tinha declarado a urgência pandêmica de forma deliberada com o propósito de criar um imenso mercado para as vacinas e medicamentos contra o H1N1, Jefferson respondeu:

“Não acha estranho que a OMS tenha modificado a sua definição de pandemia? A antiga definição falava de um vírus novo, de rápida propagação, para o qual não há imunidade e que provoca uma alta taxa de enfermos e de mortes. Hoje em dia, esses dois últimos parâmetros sobre as taxas de infecção foram suprimidos, e foi assim que a gripe A entrou na categoria das pandemias.[21]

Muito judiciosamente, a OMS publicava em abril de 2009 a nova definição de pandemia, a tempo de permitir à própria OMS, seguindo os conselhos provenientes, entre outros, do SAGE, do “Senhor Gripe” (aliás Albert Osterhaus) e de David Salisbury, de classificar de urgência pandêmica vários casos benignos de gripe, rebaptizada de gripe A H1N1. [22]

Em 8 de dezembro de 2009, em nota de rodapé de um artigo sobre o caráter grave ou benigno da “pandemia mundial” de H1N1, o Washington Post mencionava que “ao alcançar o seu apogeu nos Estados Unidos a segunda onda de infecção do H1N1, os principais epidemiologistas prevêem que esta epidemia poderá ser uma das mais benignas [que têm havido] desde que a medicina moderna vem documentando as epidemias da gripe”. [23]

Igor Barinov, deputado russo e presidente da Comissão de Saúde da Duma (Parlamento russo), exigiu dos representantes russos ante a OMS, acreditados em Genebra, que providenciem uma investigação oficial sobre os numerosos indícios de corrupção maciçamente aceitos pela OMS e provenientes da indústria farmacêutica.

“Fizeram-se graves acusações de corrupção contra a OMS”, afirmava Barinov, acrescentando que “deve organizar-se uma comissão internacional de investigação o mais depressa possível” [24]

NOTAS:
[1] Tweede Kamer der Staten-Generaal (Segunda Câmara dos Estados Gerais ds Holanda, corresponde à Câmara Baixa)
[2] Artigo em inglês, Martin Enserink, em “Holland, The Public Face of Flu Takes a Hit”(«Holanda, o rosto público da gripe sofre um golpe»), Science, 16 de OPutubro de 2009, Vol.326, nº5951, pp 350-351;DOI: 10.1126/science,326-350b.
[3] «Sunshine Act», referência à denominação americana das leis vinculadas à liberdade de informação.
[4] Artigo em inglês, Science, 3 de Novembro de 2008, “Roundup 11/3-The Brink Edition”.
[5] Artigo em holandês, “De Farma maffia Deel 1 Osterhaus BV”, 28 de Novembro de 2009.
[6] Artigo em holandês, Ministerie van Volksgezondheid, Welzijn en Sport, “Financiele belangen Osterhaus waren bekend Nieuwsbericht”, 30 de Setembro de 2009.
[7] Albert Osterhaus, Comissão Europeia, «Recherche».
[8] ibid.
[9] Artigo em inglês, Jane Corbin, entrevista com o Dr. Albert Osterhaus, BBC Panorama, 4 de Outubro de 2005.
[10] Artigo em alemão, Karin Steinberger, “Vogelgrippe: Der Mann mit der Vogelperspektive”, Suddeutsch Zeitung, 20 de Outubro de 2005.
[11] ibid.
[12] Artigo em alemão, “Schweinegrippe-Geldgierig Psychopath Ausloser der Pandemie?”, Polskaweb News.
[13] Artigo em inglês, Ab Osterhaus, “External factors influencing H5N1 mutation/reassortment events with pandemic potential”, OIE, 7-9 de Outubro de 2008, Verona, Itália.
[14] Artigo em inglês, “Health Advisory”, Swine Flu Overview, Abril de 2009.
[15] Artigo em Inglês, Biosurveillance, Swine Flu in Mexico, Timeline of Events, 24 de Abril de 2009.
[16] Citado no artigo em holandês de Louise Voller e Kristian Villesen, “Staerk lobbyisme bag WHO-beslutning om massevaccination”, Information, Copenhaga, 15 de Novembro de 2009.
[17] Artigo em inglês, Jane Bryant, et al, “The One Click Group Response: Prof. David Salisbury Threatens Legal Action”, 4 de Março de 2009.
[18] Professor David Salisbury citado no artigo em inglês “Swine flu vaccine to contain axed additive, Londres, Evening Standard e Gulf News, 28 de Setembro de 2009.
[19] Artigo em alemão, Bert Ehgartner, “Schwindel mit der Schweinegrippe ist die Aufregung ein Coup der Pharmaindustrie?”
[20] Tom Jefferson, entrevista com o epistemologista Tom Jefferson: «C’est toute une industrie qui espére une pandemie de grippe», Der Spiegel, 21 de Julho de 2009.
[21] ibid.
[22] Artigo em holandês, Louise Voller, Kristian Villesen, “Mystisk aendring af WHO’s definition af en pandemi”, Copenhagen Information, 15 de Novembro de 2009.
[23] Artigo em inglês, Rob Stein, “The Pandemic Could Be Mild”, Washington Post, 8 de Dezembro de 2009.
[24] Artigo em holandês “Russland fordert internationale Untersuchung” Polskanet, 5 de Dezembro de 2009.

* F. William Engdahl é analista econômico e político.

Tradução de João Manuel Pinheiro

Nota do Viomundo: Acabo de ver um breve debate na BBC britânica em que os jornalistas castigaram a cobertura irresponsável da mídia e um deles pediu uma investigação, diante do fato de que existem 50 milhões de doses de vacina desnecessárias e alguém deverá pagar a conta. No Brasil, a reportagem campeã foi de um filósofo da Folha.

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